Foto: Candy Films | Compre Náutica
Há barcos que mudam de geração. E há aqueles que evoluem sem perder aquilo que os tornou desejados. A Sessa F48 está mais para o segundo grupo.
Apresentada no São Paulo Boat Show 2026, a F48 chega à linha 2027 com uma série de mudanças no acabamento, nos materiais, na iluminação, no mobiliário e, principalmente, nas possibilidades de configuração da propulsão. O resultado é uma embarcação que preserva a identidade italiana da Sessa Marine, mas incorpora soluções desenvolvidas a partir da evolução da própria linha Fly.
Foi justamente essa F48 renovada que a equipe da Compre Náutica percorreu durante o Boat Show. E, olhando o barco de perto, fica claro que a proposta não foi simplesmente “dar uma cara nova” ao modelo. A ideia foi atualizar uma plataforma já conhecida e ampliar suas possibilidades de uso.
Uma F48 ainda mais atual
A F48 é um dos principais modelos da linha Fly da Sessa Marine e, nesta atualização, recebeu uma revisão abrangente dos ambientes internos.
Iluminação, tecidos, metais, lâminas e mobiliário foram atualizados. Os móveis ganharam uma linguagem mais contemporânea, com linhas mais orgânicas, enquanto novas possibilidades de personalização permitem ao proprietário escolher diferentes acabamentos, bancadas, pedras, pias e cubas.
É o tipo de mudança que pode parecer discreta nas fotografias, mas que ganha outra dimensão quando se entra na embarcação.
A sensação é de um barco que procura equilibrar duas características que nem sempre caminham juntas: o desenho italiano e o conforto que o brasileiro espera encontrar a bordo.
E isso aparece principalmente na maneira como os ambientes se conectam.
Uma plataforma que vira praia particular

Começando pela popa, a F48 entrega uma das características que mais chamam atenção em uma lancha desse porte: uma ampla plataforma submergível, que amplia significativamente a área de convivência junto à água.
O espaço também abriga uma área gourmet, com bancada e equipamentos destinados ao preparo de alimentos e bebidas. É aquele lugar que, em um passeio de fim de semana, rapidamente deixa de ser apenas uma plataforma para embarque e desembarque e passa a funcionar como extensão da área social.
A integração continua no cockpit.


O ambiente é generoso, com sofá, mesa e circulação confortável, além da conexão direta com o salão. O projeto cria uma sequência bastante natural entre plataforma, cockpit e área interna — algo especialmente interessante para quem utiliza a lancha em família ou com amigos.
Na prática, a F48 consegue multiplicar os lugares onde as pessoas podem ficar sem que a embarcação pareça dividida em pequenos ambientes isolados.
O salão privilegia convivência




Ao entrar no salão, uma das primeiras impressões é justamente essa integração.
A área envidraçada proporciona bastante iluminação natural e mantém o contato visual com o exterior. A cozinha fica integrada ao ambiente social, com bancada, fogão, forno, pia e espaço para armazenamento.
A solução faz sentido para uma embarcação pensada para permanência prolongada a bordo: quem está preparando uma refeição não fica isolado de quem está no salão, no cockpit ou mesmo próximo ao posto de comando.
Os móveis laqueados e os novos materiais dão ao interior uma aparência contemporânea, enquanto a iluminação trabalha para criar um ambiente mais sofisticado.
Outro detalhe interessante é a TV retrátil, que desaparece quando não está sendo utilizada e preserva a limpeza visual do ambiente.
É uma daquelas soluções que parecem simples, mas fazem diferença quando o objetivo é aproveitar cada centímetro sem deixar o espaço visualmente carregado.
Dois comandos e muita visibilidade

Como boa representante da categoria Flybridge, a F48 oferece dois postos de comando.
O principal fica no salão e reúne telas de navegação, comandos, volante, manche e joystick. As grandes superfícies envidraçadas contribuem para uma boa visibilidade e, além disso, as janelas laterais podem ser abertas, favorecendo ventilação e comunicação durante as manobras.
Mas é quando se sobe ao Fly que a proposta da F48 fica ainda mais evidente.
O Flybridge é um dos grandes protagonistas
A primeira reação ao chegar ao Flybridge é quase inevitável: “é grande”.
O espaço é amplo o suficiente para receber uma boa quantidade de pessoas e reúne área de estar, mesa, solário, posto de comando e um segundo espaço gourmet.



O novo T-Top é uma das mudanças mais visíveis da atualização. A estrutura ganhou um desenho mais leve e contemporâneo, com colunas laterais, acompanhando a linguagem adotada pela evolução da linha Fly.
Além do efeito visual, existe uma função prática importante: proteção contra sol e chuva sem comprometer excessivamente a sensação de espaço e a visibilidade.
A solução de cobertura também pode ser especialmente interessante para marinas com limitações de altura, já que o projeto incorpora uma solução retrátil para reduzir a altura da embarcação quando necessário.
Na área social, a mesa rebatível pode ser ampliada para acomodar mais pessoas. Logo atrás, outro móvel gourmet reúne churrasqueira, pia, geladeira e armários.
Ou seja: se o cockpit já funciona como uma grande área de convivência, o Fly praticamente cria um segundo “andar” dedicado ao lazer.
Três cabines para quem pretende ficar a bordo



A F48 também não se limita ao passeio de algumas horas.
A configuração conta com três cabines, uma característica que reforça a vocação da embarcação para cruzeiros e permanências mais longas. A proposta é oferecer privacidade para diferentes ocupantes, sem comprometer a circulação e as áreas sociais.
Na proa está a suíte master, com cama de casal, acesso pelos dois lados, iluminação natural, espelhos e vigias.
O banheiro da suíte conta com box separado e uma solução que chama atenção: a persiana elétrica, que permite controlar a entrada de luz e ventilação.
A cabine de boreste possui duas camas que podem ser convertidas em uma cama de casal, enquanto a terceira cabine, a bombordo, oferece uma cama de solteiro, armário e recursos para acomodar confortavelmente outro hóspede.
É um arranjo que privilegia justamente aquilo que uma lancha desse tamanho precisa entregar: privacidade sem transformar o barco em uma sequência de corredores e portas.
A novidade que pode fazer diferença: motorização centro-rabeta

Se o novo acabamento e o T-Top são as mudanças mais fáceis de enxergar, a grande novidade técnica da F48 está embaixo da água.
A Sessa ampliou as possibilidades de propulsão do modelo com uma configuração centro-rabeta, além da tradicional opção com Volvo Penta IPS. Segundo as informações apresentadas pela marca, a F48 pode receber dois Volvo Penta IPS 700, com possibilidade de upgrade para IPS 800, ou a nova configuração com três Volvo Penta D6 centro-rabeta de 440 ou 480 hp cada.

“Quando se fala em ter uma trinca de centro-rabeta, não é só uma questão de buscar mais potência. Para alguns proprietários, ter um barco com menor calado pode ser um diferencial importante, especialmente de acordo com a região onde ele vai navegar.”
Fred Paim — Capitão de Testes e Apresentador da Compre Náutica
Em entrevista para Compre Náutica, Luiz Henrique Galizio, gerente de Pós-Venda da Sessa Marine, também chamou atenção para essa característica, que pode ser especialmente interessante em regiões de águas mais rasas, como determinadas áreas do litoral brasileiro e acessos a rios.
É uma mudança que amplia o público potencial da F48 para várias regiões do Brasil.
Em vez de existir uma única receita de propulsão, o proprietário passa a ter mais liberdade para escolher o conjunto que melhor conversa com o seu estilo de navegação e com o local onde pretende utilizar a embarcação.
DNA italiano, produção brasileira
A história da Sessa Marine no Brasil ajuda a entender por que a F48 consegue misturar essas duas características.
A marca italiana mantém seu DNA de design, enquanto a produção brasileira acontece no estaleiro catarinense responsável pela fabricação dos modelos Sessa no país desde 2011.
Essa combinação aparece claramente na F48.
O desenho remete à escola italiana, principalmente nas proporções, nos acabamentos e na preocupação com a integração dos ambientes. Ao mesmo tempo, algumas soluções de layout e uso foram pensadas para atender às expectativas do mercado brasileiro.
“ É justamente aí que a F48 encontra uma de suas principais forças: não é apenas uma lancha italiana produzida no Brasil, mas um projeto que foi sendo adaptado à maneira brasileira de usar o barco.” Carol Santiago, CEO Compre Náutica.

Uma F48 para navegar, mas também para permanecer
Depois de percorrer praticamente todos os ambientes, fica difícil apontar apenas um espaço como protagonista.
A plataforma é convidativa. O cockpit é generoso. O salão integra bem os ambientes. As três cabines ampliam a possibilidade de permanência a bordo. E o Flybridge é daqueles lugares que naturalmente viram o ponto de encontro durante a navegação.
Talvez essa seja a melhor maneira de entender a proposta da nova F48.
Ela não aposta em uma única grande novidade. O que a Sessa fez foi pegar uma plataforma já consolidada e refinar vários pontos ao mesmo tempo.
O resultado é uma embarcação mais atual, mais personalizável e com uma faixa maior de possibilidades de configuração.
E, claro, existe uma parte que não aparece completamente em uma ficha técnica: a sensação de estar lá em cima, no Fly, com espaço para reunir a família e os amigos, enquanto o barco segue navegando.
No fim das contas, é provavelmente esse o maior mérito da F48: fazer os seus 48 pés parecerem ainda maiores.
Ficha técnica
Modelo: Sessa Marine F48
Categoria: Flybridge
Cabines: 3
Motorização: Volvo Penta IPS 700, com possibilidade de upgrade para IPS 800, ou 3 × Volvo Penta D6 centro-rabeta de 440 ou 480 hp cada
Produção: Brasil
Destaques da atualização: novo T-Top, novos materiais, iluminação, tecidos, metais, mobiliário e nova opção de propulsão centro-rabeta.
Sessa F48 no São Paulo Boat Show 2026
A F48 foi um dos principais destaques da Sessa Marine no São Paulo Boat Show 2026, ao lado de outros modelos da linha Cruiser e Fly. A marca também apresentou no evento novidades relacionadas à sua linha e uma prévia da F60.
E aí fica a pergunta: você escolheria a F48 com IPS ou iria na nova configuração com três D6 centro-rabeta?
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