Um acidente ocorrido na noite do último sábado, 19 de setembro, na Baía de Aratu, Região Metropolitana de Salvador, voltou a chamar atenção para os cuidados necessários na utilização de motos aquáticas. A colisão envolvendo uma moto aquática e outra embarcação deixou duas pessoas mortas e uma terceira ferida. A Capitania dos Portos da Bahia deverá apurar as causas e circunstâncias do acidente por meio de Inquérito sobre Acidentes e Fatos da Navegação. (A TARDE)
Mais do que discutir responsabilidades antes da conclusão das investigações, o episódio serve como um importante alerta para toda a comunidade náutica.
As normas da Marinha do Brasil são claras: a condução de moto aquática é permitida somente no período compreendido entre o nascer e o pôr do sol. A determinação consta na NORMAM-212/DPC, norma específica da Autoridade Marítima para motos aquáticas e motonautas. (Marinha do Brasil)
A restrição está diretamente relacionada às características desse tipo de embarcação. Motos aquáticas são pequenas, extremamente ágeis, possuem elevada capacidade de aceleração e não dispõem das mesmas condições de sinalização luminosa destinadas à navegação noturna encontradas em outras embarcações. A própria Marinha alerta que a visibilidade do condutor já pode sofrer limitações em razão da inclinação da moto aquática, dos respingos de água e da velocidade desenvolvida, fatores que tornam necessária atenção redobrada durante a condução. (Marinha do Brasil)
À noite, os riscos aumentam
Durante o período noturno, identificar outras embarcações, objetos parcialmente submersos, estruturas, boias ou mudanças nas condições da água se torna muito mais difícil.
No acidente ocorrido na Baía de Aratu, informações sobre a dinâmica exata da colisão ainda estão sendo investigadas. Há relatos de que a outra embarcação envolvida poderia estar sem a sinalização luminosa adequada, mas essa circunstância deverá ser confirmada pelas autoridades responsáveis pela apuração.
Independentemente do resultado da investigação, o episódio demonstra como diferentes fatores podem se combinar em poucos segundos no ambiente náutico.
Por isso, a principal orientação para quem utiliza motos aquáticas é simples: ao se aproximar o pôr do sol, é hora de retornar.
Planejar previamente o passeio, observar o horário, avaliar as condições meteorológicas, utilizar colete salva-vidas adequado, manter distância segura de outras embarcações e respeitar as áreas destinadas à navegação são atitudes fundamentais para reduzir riscos.
Segurança também faz parte da experiência náutica
A moto aquática proporciona lazer, esporte e uma relação única com o mar. O crescimento da atividade náutica, entretanto, precisa estar acompanhado de uma cultura cada vez maior de responsabilidade e segurança.
Respeitar as normas não significa reduzir a experiência. Significa criar condições para que ela possa ser repetida muitas outras vezes.
O acidente na Baía de Aratu deixa uma mensagem importante para todos que frequentam nossas águas: na navegação, conhecimento, prudência e respeito às regras também salvam vidas.
A melhor navegação é aquela em que todos voltam para casa em segurança.
Por: Hugo Leonardo

