A população de baleias-jubarte no Brasil passou de cerca de 1,5 mil animais, no início dos anos 1990, para mais de 35 mil, segundo estimativa de 2022 do Instituto Baleia Jubarte. Um dos principais cenários dessa recuperação é o arquipélago de Abrolhos, no sul da Bahia, área procurada pelas baleias durante o período de reprodução.
A espécie chegou a ficar ameaçada pela caça comercial, proibida no Brasil em 1987. No ano seguinte, pesquisadores identificaram uma pequena população sobrevivente na região de Abrolhos. A descoberta impulsionou a criação do Projeto Baleia Jubarte, voltado à conservação e ao monitoramento dos animais. Em 2014, a espécie deixou a lista brasileira de animais ameaçados de extinção.
“Na primeira estimativa populacional nossa, que foi no princípio da década de 90, tinha de 1,5 mil a 2 mil baleias. Hoje estamos com mais de 35 mil. O sentimento é de dever cumprido. A população se recuperou de verdade”, afirmou Enrico Marcovaldi, um dos responsáveis pelo projeto. Um novo levantamento está em elaboração e poderá atualizar os números.
Apesar do avanço, pesquisadores alertam para ameaças como a poluição marinha e as mudanças climáticas, que podem afetar a oferta de alimento das baleias. “A questão climática afeta a disponibilidade de alimento, que rege todo o ciclo de vida dos animais”, afirmou Eduardo Camargo, diretor-executivo do instituto. As pesquisas em Abrolhos seguem acompanhando a espécie e os possíveis impactos dessas mudanças.

