A Bahia reúne condições incomparáveis para o desenvolvimento da Economia do Mar. São aproximadamente 1.183 quilômetros de litoral, além de baías, rios, estuários e uma relação histórica e econômica profundamente ligada às águas.
Apesar dessa dimensão, grande parte das discussões sobre desenvolvimento náutico e Economia do Mar ainda se concentra na Baía de Todos-os-Santos.
Sua importância é indiscutível. Mas a Bahia é muito maior do que ela.
A Baía de Camamu, o Rio São Francisco, todo o litoral baiano e diversos outros territórios também precisam fazer parte dessa agenda de desenvolvimento.
É necessário ampliar essa visão e compreender que a Economia do Mar deve ser tratada como uma política estratégica para todo o estado, respeitando as características e vocações de cada região.
É preciso criar cultura
Mais do que infraestrutura e políticas públicas, é necessário aproximar a população dessa agenda.
O mar e as águas precisam ser compreendidos também como ambientes de geração de emprego, renda, empreendedorismo, inovação e investimento.
Criar essa cultura é fundamental para despertar novos empresários, estimular investimentos e fazer com que diferentes setores passem a enxergar a Economia do Mar como parte efetiva da economia baiana.
Esse movimento precisa começar pela educação, pela qualificação profissional, pelo incentivo ao empreendedorismo e por uma aproximação cada vez maior entre o setor público, a iniciativa privada, universidades e comunidades.
Políticas públicas precisam olhar para toda a Bahia
O poder público possui papel fundamental nesse processo.
É necessário estruturar políticas que permitam o desenvolvimento ordenado das atividades ligadas às águas, ampliem infraestrutura, incentivem novos negócios, fortaleçam a qualificação profissional e criem condições para que cada território desenvolva suas próprias vocações.
Essa visão não pode ficar restrita a Salvador ou à Baía de Todos-os-Santos.
A Bahia precisa pensar a Economia do Mar de forma territorial, integrada e de longo prazo.
Segurança jurídica é fundamental
Nenhum ambiente de investimento se desenvolve sem segurança jurídica.
Quem pretende investir precisa encontrar regras claras, previsibilidade, processos eficientes e integração entre os diferentes órgãos envolvidos.
Empreendimentos ligados às águas geralmente passam por licenciamentos, autorizações e diferentes esferas administrativas. Quando esses processos são excessivamente burocráticos, demorados ou pouco claros, o investimento perde viabilidade.
A segurança jurídica não significa reduzir fiscalização ou responsabilidade ambiental.
Significa criar um ambiente onde quem deseja investir saiba exatamente quais são as regras, os caminhos e as condições para desenvolver seu projeto.
Desenvolvimento e sustentabilidade precisam caminhar juntos, com planejamento, responsabilidade e previsibilidade.
Transformar vocação em desenvolvimento
A Bahia já possui os ativos naturais, a posição geográfica, a cultura e a relação histórica com as águas.
O que falta é transformar tudo isso em uma estratégia organizada de desenvolvimento.
É preciso olhar para a Baía de Todos-os-Santos, mas também para Camamu. Olhar para o litoral, mas também para o São Francisco. Olhar para Salvador, mas também para os municípios costeiros e ribeirinhos.
Mais do que falar sobre potencial, é necessário criar condições reais para que os investimentos aconteçam.
A Bahia não precisa descobrir sua vocação para a Economia do Mar. Ela precisa organizar, incentivar e dar segurança para que essa vocação finalmente se transforme em desenvolvimento.
Hugo Leonardo Assis
Fundador da Barco Show Eventos, Grupo Azul Amazônico, IBEM e do site Nautinews

