MARAÚ (BA) Entre os dias 18 e 20 de setembro, o município de Maraú se transformou no epicentro das discussões sobre sustentabilidade marinha ao sediar o seu 1º Festival de Cultura Oceânica. O evento, pioneiro no estado, foi fruto de uma iniciativa conjunta da Prefeitura Municipal de Maraú, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (SEMA), com forte articulação das secretarias de Educação e Turismo, destacando a atuação da servidora Caroline Lorenzo, diretora da pasta.
A iniciativa mobilizou gestores públicos, especialistas, representantes das redes de ensino e a comunidade em uma extensa programação voltada à conservação dos ecossistemas costeiros e marinhos.
O festival está diretamente alinhado aos propósitos da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, declarada pela Organização das Nações Unidas (ONU), e ganha relevância econômica global em um setor que já movimenta cerca de três trilhões de dólares anualmente no mundo. No âmbito estadual, a Bahia consolida seu protagonismo ao contar com uma lei estadual de economia do mar, instrumento legal que contempla e fomenta atividades produtivas e sustentáveis relacionadas ao setor.
ENVOLVIMENTO ESCOLAR E ABERTURA OFICIAL

O primeiro dia do evento, 18 de setembro, teve como um dos principais destaques a participação ativa de estudantes e professores de escolas municipais de diversos distritos de Maraú.
A mesa de abertura contou com a presença do prefeito Dr. Ravan, Isravan Lemos Barcelos, que celebrou a iniciativa do município de integrar a pauta ambiental ao cotidiano pedagógico.
A programação incluiu a Mostra de Cultura Oceânica das Escolas, estandes para visitação, o lançamento do Hackathon voltado aos estudantes, o reconhecimento das Escolas Azuis de Maraú e a entrega do prêmio Um Oceano de Futuro.
A palestra magna da abertura oficial foi ministrada pelo oceanógrafo e idealizador do Projeto Baleia Jubarte, Gustavo Rodamilans, seguida por debates sobre as ações da Década da Ciência Oceânica, apresentados por Bárbara Pinheiro.
ABORDAGEM TRANSVERSAL E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

Representando o Governo do Estado, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) esteve presente por meio do Coordenador de Inovação e Competitividade, Carlos Brasileiro Barros Neto, que integrou os debates estratégicos do festival.
Durante o evento, destacou-se que a Política de Economia Azul, historicamente associada, no âmbito federal, ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), configura-se essencialmente como uma agenda transversal, que exige articulação direta e contínua entre Turismo, Meio Ambiente, Educação e Desenvolvimento Econômico.
O Governo do Estado também marcou presença com a participação da oceanógrafa Paloma, representando a Secretaria de Meio Ambiente do Estado (SEMA).
O evento contou ainda com a participação de lideranças do setor privado e da sociedade civil, a exemplo do CEO da Barco Show Eventos, Hugo Leonardo, reforçando a integração entre o poder público, o ecossistema de inovação, o turismo náutico e o setor empresarial.
DIÁLOGOS, COMUNIDADES E ESPORTE
Ao longo dos dias 19 e 20 de setembro, a programação ocupou diferentes pontos de Maraú, como o Espaço do Festival, no Barraclub, e a Praça da Tainha.
Os debates abordaram temas como o manejo de áreas protegidas, incluindo a APA Municipal de Maraú e a APA Estadual da Baía de Camamu, vivências regenerativas na comunidade de Piracanga, além de painéis sobre ancestralidades, pesca artesanal e direitos das comunidades tradicionais.
O encerramento, realizado na Praia de Taipu de Fora, uniu conscientização e prática por meio de um mutirão de limpeza de praia, instruções básicas de salvamento aquático em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar e a Salvamar de Maraú, além do Encontro de Desportistas.
A atividade reuniu representantes e praticantes de modalidades como surf, kitesurf, stand up paddle, canoagem, mergulho, beach tennis e vela.
Com o sucesso desta primeira edição em Maraú, pioneira em solo baiano, o Festival de Cultura Oceânica consolida-se como um marco na construção de políticas públicas integradas voltadas ao mar, projetando o litoral baiano como referência nacional em conservação, inovação e sustentabilidade oceânica.

